domingo, 5 de abril de 2009

REBOBINEMO-NOS


Esta critica começa com alguns pedidos: Esqueçam os títulos em portugues que sugerem as distribuidoras de filmes para iludir os menos avisados de um suposto gênero... e abram o coração para as mensagens de diretores que amam o que fazem...
Esse começo inusitado eu empresto do edido do título de MICHEL GONDRY o seu inocente e sensível REBOBINE POR FAVOR.
Gondry a tempo está sob a aura de gênio Low-Tec por evitar as soluções fáceis do cinemão pipoca abolindo o computador para usar a camera e o cenario como artifício da ilusão... tudo isso como que um pedido para que voltemos a encarar o cinema como um espetáculo da ilusão, onde nos entregamos aos truques em favor dos signos nos quais inclui em nosso inconsciente coletivo as referencias necessarias para construir o que de fato é a verdadeira cultura humana.
Enquanto Shiamalan em seus ultimos filmes arrisca a carreira para impor esse "retorno" as raizes ficcionais... Gondry escracha numa comédia de sem muito rir mas se entreter com os amadorismos dos cineastas que reproduzem filmes memoráveis na sua casa...
A trama se confunde tanto com as mensagens que fica até dificil achar no roteiro algo que seja verossímel: - A maquiagem visionária do personagem de JACK BLACK que acaba fazendo-se desaparecer nas grades, o pseudo-documentario de um músico que ensina-nos sobre o cinema e seus pseud0-fatos e os comentários morais de filmes até então inquestionáveis.
Assim como SANEAMENTO BASICO (filme de Jorge Furtado) as pessoas ao se verem por um absurdo destino em contato com o registro e a inventividade das imagens, participando inocentemente de uma brincadeira despretenciosa... mal sabem que a maior dos pretensiosos hoje é aquele que pede... via homenagem ao cinema... que as pessoas rebobinem-se para um passado que não lhe façam esquecer de sua inocência.

quinta-feira, 26 de março de 2009

CARCAÇA DE SITCOM


Todos vão comparar CHOKE com o indefectível CLUBE DA LUTA.. e como literatura temos que reconhecer que o autor PALANIHUK tem a capacidade de se superar a cada livro... mas o diretor CLARK GREEG não é DAVID FINCHER definitivamente. O livro é sujo e violento enquanto o filme mais parece um sitcom para adolescente... fora uma ou outra cena mais picante mas nada do que de vez em quando é visto por aí.
Prova de que um bom material em mãos amadoras e covardes praticamente definha toda a expectativa que voce havia criado com o livro. Pena por que atras da metáfora desconfortável e desfile de demencias proposta pela história , há uma alma pedindo socorro... angustiada e sufocada ( como a infeliz tradução do filme ) e a busca de um acontecimento unico que mude sua vida , e que nos empurra a falsas divinas revelações de nossas origens. Tudo isso acontece no filme, infelizmente num ritmo pobre que constrangeria se não fosse as dignas atuações de SAM ROCKWELL e e de algumas pérolas como "o pior dos boquetes é mais belo que a mais linda rosa". Os valores religiosos e romanticos ironizados pelo sexo casual seria obra-prima na mão de um diretor que fosse menos "televisão".

OLHANDO AS FIGURINHAS


O LEITOR é o típico filme contemplativo/intimista... algo que vem invadindo os roteiros que parecem estar submetidos a uma quase-censura. Imagino que há milhoes de cineastas apaixonados querendo exprimir sua arte... mas os grandes estúdios estão de olho em que mensagem deve ser passada (claro : aquela que inspira objetivos comerciais... que garantem o retorno do investimento ou patrocinado por interesses politicos mundiais), ao distribuir de forma massificada tal filme... As consequencias são de que as grandes produções passam por medíocres e as independentes sofrem o limbo da obscuridade.
Nesse caso, a obra de Daldry é carregado daquilo que não pode ser violentado pelos marqueteiro dos estudios: tecnica...Fotografia precisa e definitiva para o filme... entretanto não é só de figurinhas que se vive o in-leitor... A questão levantada envolvendo o holocausto no meio a um aprendizado sexual soa artificialmente mesmo com o esforço dos atores. Até é duvidoso o Oscar dado a Kate Winslet que apesar de ser uma atriz completa inpira desconforto mediante sua interpretação.
Ou seja: Um penetra na entrega do Oscar que acabou roubando a vaga do Cavaleiro das Trevas que ao menos desconstroi o cinema pop.

sexta-feira, 20 de março de 2009

CIDADE DE KRISHNA


O entretenimento está chegando ao limite... não porque haja um limite... o limite é imposto, pelo menos para o grande público que é responsável pelo ônus do mercado cinematográfico ocidental...
Procurar um ponto específico para agradar a s exigencias dos expectadores de cinema é muito mais complicado hoje para ganhar o dinheiro astronomico que se ganhava anos atras e os independentes tem sido a bola da vez, colocando para fora do eixo americano o grande olhar pop.
A Índia ( e a Inglaterra) com SLUMDOG MILIONARE encontrou seu nicho e abocanhou um gênero que só existe pelo fenômeno provocado por 2004 com CIDADE DE DEUS.
Danny Boyle viu sua possibilidade de contribuir ao estilo de Meirelles o seu estilo e não viu outro jeito de contar a história de um romance destinado e da ascenção de um descamisado a fortuna se não fosse com a ótica de um FILME FAVELA: Sujo, violento , esterotipado e no estilo documentário... dando a impressão de que o realismo e a realidade andam juntos.
Tecnicamente , o filme e impecável... Fotografia , e a inventividade da montagem é emocionante e inovadora... mas nada do que vemos é novo... estranho para um Boyle que sempre privou em seus filmes uma abertura experimental, no drama ou na forma de condução da narrativa ( O Di caprio Videogame de A Praia ainda é a aberração cinematografica original mais importante do cinema moderno desde que Felini resolveu nos deixar).
É como se Boyle resolvesse fazer seu Blockbuster sob a condição de exercitar estilos ( a homenagem da galinha para Meirelles é óbvia).
MAs tudo no oscar inusitado é época... e ver Boyle com aquele careca dourado na mão é mais do que uma justa adequação para o conjunto de sua obra... e como entretenimento SLUMDOG é único... como arte é tão profundo quanto um pires de cabeça para baixo.

terça-feira, 17 de março de 2009

CONTA AQUELA,GUY!!!


ROCKROLLA, é um atestado de que Guy Ritchie é um contador de piadas... e da mesma piada. Como aquele personagem icônico representado por um ator determinado momento da vida e que não larga mais de seu pé, por mais que ele se empenhe em fazer outros personagens.
Ritchie tatuou na mídia sua assinatura em seus primeiros dois filmes: os excelentes JOGOS,TRAPAÇAS E DOIS CANOS FUMEGANTES e SNATCH-PORCOS E DIAMANTES. E só voltou a ser feliz em Hollywood quando voltou com o mesmo tema.
O cara nasceu para criar gângsters (tantos os malvados como os patéticos) entregando para os atores personagens tão ou quase tão ricos quanto os de Tarantino. A diferença é que a intimidade que provoca é sedutora e você termina a película como se saísse do cinema para conversar com o cara que acabou de assistir.
Dessa vez, como já temos uma certa intimidade com o estilo de Ritchie, temos a tendencia de nos abrisr para a sua proposta dramática. E ele revela o perigo de que há quando um surge num contexto , mesmo que formado por trapaceiros , chefoes e assassinos, alguem que não tem nada a perder ( simbolizado pelo personagem que vive o artista que vive morrendo na mídia e retorna de uma hora para outra de qualquer clinica de reabilitação de drogas)
Mesmo para um mundo amoral, as regras de convivencia existem, a ética não é desprezada , só distorcida... e todos querem continuar no ramo, hora ganhando ,ora perdendo... o que não querem é que alguem venha e imponha uma nova lei que não se entende ou não há o que se entender...
Apesar da análise fazer entender que o filme tem um tom pesado, Ritche conta isso com humor apuradíssimo que quebra o terror imposto do submundo... onde pessoas são pessoas no seu patético rumo a identidade perdida. Como disse parece alguem que conhecemos...

sexta-feira, 13 de março de 2009

REENCARNAÇÂO DO MOJICA


Tudo o que se fala mundo afora de José Mojica Marins (o cineasta criador do ícone: Zé do Caixão) não passa de uma ode a autenticidade. E com razão... comprei um de seus filmes por curiosidade e acabei me tornando mais um fiél... sem idolatrias mas com um profundo respeito a quem nasceu para filmar... mas que comeu o pão que o Diabo amassou (sem trocadilho) para ver seus filmes acontecerem.
O reconhecimento foi tanto que militantes da área do cinema no Brasil se reuniram com esse senhor sexagenário e propuseram o projeto de ENCARNAÇÂO DO DEMONIO fechando a trilogia que fora interrompida em 68.
E para não usar de preconceito, nada como um comentário livre de paixões para hmenagear este que é um dos maiores cineastas vivos no Brasil.
Encarnação tem o melhor e o pior de Zé do Caixão... desde cenas claçadas numa maquiagem surpreendente sem efeitos especiais, como uma direção , montagem e fotografia eficiente como a canastrice rasgada de Mojica e seu personagem icônico. A favor da sua presença , o filme é uma caricatura de dois momentos cinematográficos no Brasil. O do porno-trash censurado da década de 70 com o ducumentarismo da época atula... como uma dicotomia cultural sangrando com um choque de gerações.
A mistura o próprio filme ensina a digerir, com a metáfora de Zé do Caixão vendo o mundo real em seu caos de trânsito, crianças drogadas e mortas e a vida moderna ignorando a natureza humana sendo trocada pela paz de um porão de torturas sádicas e ficticias como que um alívio impossivel contra stress de nossa propria luta diária.
Mojica sofisticou-se em sua câmera e até permitiu as inovações de montagem a favor de seu filme...e apesar das nítidas limitações e do roteiro violentado pela morte de Jece Valadão em plena filmagens ( e das claras cenas chupadas de alguns clássicos como "Coração Satânico") , o Velho Zé do Caixão provoca pesadelos... mas permite a nós , amantes do cinema sonhar com um cinema brasileiro puro, feito com a mais pura e inocente alma de quem comete o crime de fazer uma obra estruturada com talento e convicção.

segunda-feira, 9 de março de 2009

DILATAÇÂO DOS VALORES


Houve uma grata oportunidade de ler WATCHMEN , o mítico HQ de Alan Moore uma semana antes da estreia mundial de sua adaptação no cinema pelas mãos de Zack Snyder. Refuguei... Escolhi por um processo inverso ao de Ensaio sobre a cegueira por achar ideal ver a versão compacta e depois a série de doze Graphic Novel, para ter dois prazeres.
A impressão na TELONA é de que estavamos mesmo num túnel do tempo, como o personagem Mr. Manhatan que viajava por seu próprio passado, onde a transição 70-80 é magnificamente bem caracterizada.
A cena inicial é violenta e suja (unica vez, no qual se perde em10 minutos de filme) o suficiente para mostrar que estávamos numa viagem no mínimo incômoda... estavamos de repente numa perfeita reprodução do assassinato de Kennedy e vendo um Nixon velho governar o planeta. Snyder a cada frame parece homenagear o que é " A BIBLIA" dos quadrinhos... É genial em a idéia da desconstrução dos heróis em plena década de 80, onde a era Reegan buscava em Stallone /Rambo e Rocky o símbolo de uma nação viril e impenetrável... Essa era a mensagem crucial que tornou Moore um gênio.

O COMEDIANTE era a amoralidade do soldado americano, e suas cenas são poucas e definitivas... DR MANHATAN era a melancolia do da supremacia... RORSCHACH a sociopatia escondida atrás da justiça... O CORUJA o fã obsecado dependente de parafernalhas como um Batman frustrado... OZYMANDIAS a megalomania a serviço da humanidade e ESPECTRAL carrega o legado da fama de sua mãe... Ou seja : motivos nada nobres numa milícia mascarada...

A carga política perdeu força com o tempo....os valores da história talvez só façam sentido para quem viveu nessa época... afogado a um terror eminiente de uma guerra nuclear... mas Snyder em sua assinatura estética a lá 300 (Limpa e focal como os suspenses de Brian de Palma) tenta esticar e acelerar o tempo para dar uma sensação nova a contemplação oferecida pelos HQ. MA s o excesso de fidelidade nos mostrou um um conteudo obsoleto com embalagem nova.
O proprio MOORE lutou para que o filme não fosse feito e que sua obra fosse conhecida como no original ( que é considerada uma das 100 mais importantes da literatura de todos os tempos).
Talvez tenha razão... mas uma coisa é certa... hoje mesmo começo a lê-lo...

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