quinta-feira, 2 de julho de 2009

Cruz pesada, Ombros fracos...


É difícil depois de algumas horas (muitas) gastas vendo filmes e em grande parte com olho critico você possuir uma segura opinião do que seja um bom filme...as expectativas são inevitáveis quando as referencias são sedutoras. Empunhando a bandeira de DUVIDA, filme do estreante John Patrick Shanley (Que é dramaturgo e responsável pelo roteiro dessa adaptação de sua própria peça) Estão dois carros alegóricos midiáticos e faraônicos
Num deles os atores Meryl Streep e Phillp Seyour Hoofmann travam um duelo saudável de interpretação onde Streep é apenas convincente e Hoofmann mostra se entrega para um espetaculo artistico primordial. Seu padre Flynn distribui carater na composição e escolhas de tempo da fala e gestos..tornando tão ambíguo quanto obvio,mostrando que o caminho de Hoffmann só tem um nome: perfeição.
Os atores escolhidos para sustentar esses dois gigantes em papéis menores tambem impressiona (tanto Amy Davies quanto Viola Davies) e em alguns momentos até supera, rendendo-lhes merecidas mensoes ao Oscar.
O segundo carro, com cores menos gritantes, mas que pipocam nos jornais é o da curiosidade mórbida da pedofilia no qual a dúvida perante as intenções do Padre Flynn partida de uma dupla de freiras norteam a trama que sustentam bons dialogs e a tensão que o filme exige.
Porem, apesar do argumento cheio de material para um "Grande Filme" , o diretor tropeça em sua propria inexperiencia. As tomadas e soluções fílmicas para transporte do texto teatral em imagens são insuficientes para dar contrapeso aos dialogos preciso e fortes.
A tentativa de ser arte só não deixa de ser evasivo graças ao argumento tem seu proprio eixo de conduta e os atores que apostaram em todas as suas tecnicas para alavancar a camera imprecisa e a decupagem insossa.
O que sobra entender é que nem sempre sabemos da nossa competencia de sustentar o que nós mesmo imaginamos ou que um projeto com materia dramatica tão contundente deve ser executada por mãos adequadas.
A partir de hoje a referencia: Adaptada do teatro é para mim no minimo... duvidosa.

domingo, 21 de junho de 2009

”A inteligência é relativa”


Na carreira do iconico Woody Allen o filme-didático Melinda e Melinda é uma pérola da exemplificação de como um tema pode ser contado como tragedia e transformado em comédia. OS IRMÂOS COEN em 2008 experimentaram a ideia filmando quase que ao mesmo tempo a tragédia com cores de comédia ONDE OS FRACOS NÂO TEM VEZ ( que por si só já são dois filmes ) e a comédia com coresde tragédia QUEIME DEPOIS DE LER.
Os dois são filmados direto ao ponto, de forma enxuta e exigindo dos atores uma ironia na interpretação propria de suas filmografias. `Mas é no delicado tema de que no choque de geraçãoes a idade pesa para quem ainda pensa em buscar espaço num mundo onde ideias de ontem já são velhas que reside a piada mais cruel de suas carreiras.
Mesmo que o contrapeso dramatico é colocado para nós na balança de suas imagens, nos dois filmes (e em especial o segundo) ele reforça a decepçao das pessoas que com a idade vão perdendo a ilusão de que o mundo é delas e enquanto a melancolia de Tommy Lee Jones vai crescendo a medida que ele se entrega para a fatalidade, a caricata fuga dos personagens de "queime depois de ler" diverte enquanto tentam reavivar desesperadamente o cadáver de suas vidas medíocres.E todos que tentam se meter aonde não são chamados perdem tudo que conquistaram até ali, salvo a instrutora de ginastica que ganha seu "premio" a custa do tragicomico fim de seus comparsas.
A mensagem nos dois filmes(como uma peça de MOLIERE) é uma só:"O tempo atropela a todos e é relativo, como a percepção de cada um para si mesmo" " e que o ato de se levar a sério é a maior perda desse tempo, tanto na tragedia como na comédia. Um filme que acabará esquecido no futuro, de propósito...alias como justamente fazemos com nosso presente.

domingo, 14 de junho de 2009

HUMANIDADE COMO HERANÇA


É justificável preparar-se para assistir O ESCAFANDRO E A BORBOLETA como quem vai para um sacrificio de emoções. A sinopse de um filme sobre alguem que fica dentro de um corpo paralizado apos um derrame permanecendo incomunicável ao mundo a não ser pelo um olho esquerdo é assustadora em todos sentidos: emocionais e tecnicas.
Entretanto o aval de que algo interessante estaria por pintar na tela vinha por dois nomes: o de JULIAN SCHNABEL (especialista em biografias) e do excelente ator MATHEU AMALRIC.Dito e feito.
Os creditos iniciais ,escolhendo imagem e som com fabulosa sensibilidade e arte, mas marginal e desconfortável, já borrifava um código de que se veria algo único.
Era mais que isso.
O sentimento de piedade é quebrado já com as primeiras imagens a partir da escolha de não mostrar o contraplano do protagonista na primeira hora do filme, vemos tudos com os olhos (ou olho) do narrador numa alternativa tecnica ousadissima e claustrofóbica... Tanto que as poucas cenas que aliviam o espectador dessa precaria condição de cumplice são as cenas libertadoras que envolvem momentos de memória e fantasia.
Apesar do filme parecer tipicamente aquele em que o ator é a alma do filme , neste o diretor ( e sua equipe é claro) é o artista...Tudo no filme é feito de forma a construir uma obra de arte, em todos os seus detalhes e nos comentarios espirituosos ( e visivelmente improvisados) dos atores...Fora as poucas e inesquecíveis cenas com Max Von Sydow.
Nunca um filme expos tanto a alma humana , delatando como a criatividade e a imaginação o que há de espirito em nós...e isso passa a ser um prego encravado em uma década tão metrossexual.
SCHNABEL nos entrega a verdadeira estética , mesmo para quem apenas busca uma boa história , obrigando a qualquer um a deixar a indiferença e a distancia passiva do voyeur e participar da angustia.
Uma experiencia visual , que carregado de humanidade que herdamos de Jean-Dominique Bauby ( o escafandro em questão e em muitos momentos a borboleta )inspirou a libertar todos que um dia passaram o olho (ou olhos) por sua triste ,porem maravilhosa existencia,seja atraves do livro, do texto, de sua propria vida ou pela sensivel camera de SCHNABEL.

terça-feira, 9 de junho de 2009

MENDES 100%


Fui ver REVOLUTIONARY ROAD com a expectativa e premissa de que SAM MENDES tivesse escorregado na carreira que alguns chegam a torcer o nariz mas a realidade é que 4 filme = 4 Obras primas (leia-se BELEZA AMERICANA, ESTRADA PARA A PERDIÇÃO , SOLDADO ANONIMO E este FOI APENAS UM SONHO ).
Como acontece algumas vezes alguem acabou sabotando com esse "inteligente" titulo que qualquer meio entendido já profetiza um filme sem final feliz... mas não imagina a destruição emocional que vem pela frente.
A experiencia do teatro (alias o filme caberia muito bem em um palco) de mendes é colocado a toda prova e até a escolha DI CAPRIO e WINSLET aparentemente comercial é fruto da propria carreira dos atores 10 anos após TITANIC: o amadurecimento foi essencial para que só os dois tomassem forma aos dialogos tão contundentes para soar da boca deles de forma tão convincente.
Os coadjuvantes (poucos e cirurgicos) levam a trama e as vezes roubam a cena ao grande estilo de Woody Allen quando se aventura e temas dramáticos.
Mas Mendes trouxe mais do que o jovem casal de TITANIC para uma lavação de roupa suja pública. Ele trouxe o tema de BELEZA AMERICANA sem humor negro: a mediocricidade coletiva e o vazio existencial provocando o inusitado e como esse inusitado é fonte para boicote social.
Em 2000 o tema foi visto como urgente, hoje esse DR ao ar livre apenas constrange e casais (que viram TITANIC juntos e apaixonados) verão esse filme e silenciarão por talvez se reconhecerem e abordar temas que é "preferivel não comentar".
O personagem de Winslet pede , sem ser atendida, veemente desde o começo que seu marido não toque nos assuntos... como a sociedade americana pedindo a Mendes ...não me mostre, por favor, ou sofreremos as consquencias disso.(O OSCAR não só desprezou o filme e sim censurou-o moralmente)
Há tantas camadas do filme que é impossivel não ve-lo de novo... apesar da dor que ele repete em nós.
A coragem desse diretor acaba trazendo o cinema integro... Um cinema europeu em pleno solo americano... Lars von Trier com verniz Yanque.. Didático e plástico. Ou seja : a propria ARTE.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Blues no Didgeridoo


Colocar o adjetivo de visionário na frente de seu nome é algo que já nasce datado... é quase como dizer que: "ainda ninguem reconhece seu talento e faz uns filmes fora do padrão..."Tres filmes e Baz Luhrmann pelo menos não passa incólume: ROMEU + JULIETA é o Sheakespeare mais essencial das adaptações e iniciou a veia pop-classica que mais tarde rendeu escolas do tipo Maria Antonieta de Sofia Copolla.
Mas é em Moulin Rouge que o diretor entregou ao cinema o limite do que "quer ser visto"...e virou um epico de proporcoes antológicas.
A palavra pretensão seguiu durante todo o hiato de sete anos sem filmar, e a história de ALEXANDRE O GRANDE com DI CAPRIO ficou entalada na curva de OlIVER STONE e o fiasco protagonizado por Colin FArrel. Suas atenções foram obrigadas a desviar para seu continete de origem: AUSTRALIA.
A campanha de markenting assustou: Tudo soava um Pearl Harbor sem a cara de porta do Ben Afleck...e os violinos no fundo do casal Hugh Jackmann e Nicole kiDMANN dava um tom de ... é... pretensão.
A verdade é que o estilo desenfreado e teatral faz o estilo consagrado de Luhrmann... mas a vontade de ser UM VENTO LEVOU aborígene e o excesso de MAgico de OZES(nem uma trilha original foi feita)...confunde-se Luhrman no timbre , na exploração dos personagens...
Há momentos que até ele larga sua assinatura e dirige a moda antiga, e quase deixa cair a peteca no prólogo pós final feliz.
E mesmo com todos os apetrechos de um mundo pseudo-yanke, a sensação de que Luhrmann conhece tanto sobre seu continente quanto nós explode aos olhos... como se houvese um olho no didgeridoo e outro na gaita de Blues...
Mas no fundo , no fundo AUSTRALIA não tem nada de errado... e talvez esse foi seu maior problema...

domingo, 31 de maio de 2009

A PAIXÂO DE ROURKE


Sou obrigado a pedir licença nessa pequena cronica (e não analise oucritica como costumo fazer) e confessar que essas linhas serão escritas na continuidade da emoção complascente que o filme O LUTADOR de DARREN ARONOWSKY me proporcionou.
O diretor já havia demonstrado de forma plastica e autoral que queria falar das prisões humanas e os caminhos sem volta que as escolhas nos permitem : em PI pintada pela segurança racional, em REQUIEM PARA UM SONHO a busca da felicidade a qualquer preçoe em FONTE DA VIDA a negação da morte.
Mas é em THE WESTLER que ele deixa um personagem-ator,contar sua historia, e apenas o persegue em sua propria caminhada rumo ao encontro do óbvio. E não poderia ser outro senão Mickey Rourke a contar a historia de alguem que tinha tudo na decada de 80 e tropeça em si mesmo na decada de 90 e tenta ressucitar nos anos 2000.
A simplicidade do enredo é o truque pois Aronowsky apenas precisa captar o desgaste no rosto deformado de Rourke iludido pela glória da fama em que achava que tinha o poder de seu destino e pagou o preço da autenticidade.
A cada fala do personagem "The Ram" é impossivel não ver um Rourke envolvido no contexto.
Mas Aronowsky tambem está lá... na flagelação provocada pela sociedade para com quem olha de baixo para cima , mesmo sob toneladas de massa muscular, e a bomba relogio que seus personagens se vem submetidos.
Mas nunca os dialogos (ou os silencios) tiveram tanta cor...e é na fala final de Randy que o fruto da fama se aceita como destino e fim em si, analogia ao "cordeiro de Deus" e se entrega a possivel morte como se não houvesse outro caminho...Nem mesmo Maria Madelena foi capaz de tirar o cordeiro de seu sacrifício.
Em O LUTADOR não há perguntas , apenas o fato do que a vida é ato e armadilha , e que até mesmo a redenção pode nos ser negada."É no ringue é que nos machucamos menos"
Humildemente ARONOWSKY entrga sua melhor visão na pele de um biografo que nos golpeia com um retrato canhestro da humanidade :
A de que o cinema criou um monstro chamado MICKEY ROURKE e ele nos presenteou a si mesmo.

terça-feira, 26 de maio de 2009

IGUAIS NA COVARDIA


Tarsem Singh ja havia imprimido seu virtuosismo visual no suspense A CELA , que de certa forma deu o toque artistico nesse suspense psicológico de roteiro apenas mediano. No fim das contas seu potencial estava lá...num olhar para o surreal plausível. Neste filme THE FALL ( que em portugues virou um drama escondido nas prateleiras das locadoras com nome de DUBLE DE ANJO ) a licença para usar toda sua panooramica e complexa visão da mente humana acaba encontrando mais obviedade... ja que se trata de uma menina (incrivelmente convincente) montando um mundo proprio a partir de uma história que ela houve de um interno, que assim como ela , estão em tratamento no hospital.
O filme então é um recife apropriado para o diretor expor todas suas ideias e tecnicas... sem apelar para um excesso de efeitos pixelados e nem ser piega-romantico no que se trata de proteger a essencia visual do cinema.
A pelicula quase que arranha em homenagem, mas de tão sensivel e humana... ja que toda a trama conduz num paralalo entre um duble de cinema mudo ( que corajosamente arrisca a vida no lugar de astros e se acovarda perante as decepções da vida) e uma menina que perde tudo mas transpira esperança e fantasia , criando personagens heroicos que seriam fortalezas de sua inocencia.
O hospital é uma simbologia fria da realidade de muito de nós confinados a enfrentar nossos limites corporais e correndo riscos de crueis injustiças.
Pena que as vezes o proprio filme se acovarda em nos preparar para a tragédia da ficção e arranha para um climax morno...
MAs alguns insights de domínio (como o da ilusão de ótica datransposição do rosto do padre para a tortura do deserto e o recurso stop-motion de uma operação no cranio) são atirados em nós, admiradores do cinema, como um oásis nessa poluição continuista de super (superficiais) heróis que vem sem nada a dizer ou apenas para meter ruido em mentes que se preparam para a ficção redentora e se deparam com a decepcionante morfina do entretenimento.
Permitir isso, é uma covardia para o qual todos nós acabamos caindo junto.

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