sexta-feira, 13 de março de 2009

REENCARNAÇÂO DO MOJICA


Tudo o que se fala mundo afora de José Mojica Marins (o cineasta criador do ícone: Zé do Caixão) não passa de uma ode a autenticidade. E com razão... comprei um de seus filmes por curiosidade e acabei me tornando mais um fiél... sem idolatrias mas com um profundo respeito a quem nasceu para filmar... mas que comeu o pão que o Diabo amassou (sem trocadilho) para ver seus filmes acontecerem.
O reconhecimento foi tanto que militantes da área do cinema no Brasil se reuniram com esse senhor sexagenário e propuseram o projeto de ENCARNAÇÂO DO DEMONIO fechando a trilogia que fora interrompida em 68.
E para não usar de preconceito, nada como um comentário livre de paixões para hmenagear este que é um dos maiores cineastas vivos no Brasil.
Encarnação tem o melhor e o pior de Zé do Caixão... desde cenas claçadas numa maquiagem surpreendente sem efeitos especiais, como uma direção , montagem e fotografia eficiente como a canastrice rasgada de Mojica e seu personagem icônico. A favor da sua presença , o filme é uma caricatura de dois momentos cinematográficos no Brasil. O do porno-trash censurado da década de 70 com o ducumentarismo da época atula... como uma dicotomia cultural sangrando com um choque de gerações.
A mistura o próprio filme ensina a digerir, com a metáfora de Zé do Caixão vendo o mundo real em seu caos de trânsito, crianças drogadas e mortas e a vida moderna ignorando a natureza humana sendo trocada pela paz de um porão de torturas sádicas e ficticias como que um alívio impossivel contra stress de nossa propria luta diária.
Mojica sofisticou-se em sua câmera e até permitiu as inovações de montagem a favor de seu filme...e apesar das nítidas limitações e do roteiro violentado pela morte de Jece Valadão em plena filmagens ( e das claras cenas chupadas de alguns clássicos como "Coração Satânico") , o Velho Zé do Caixão provoca pesadelos... mas permite a nós , amantes do cinema sonhar com um cinema brasileiro puro, feito com a mais pura e inocente alma de quem comete o crime de fazer uma obra estruturada com talento e convicção.

segunda-feira, 9 de março de 2009

DILATAÇÂO DOS VALORES


Houve uma grata oportunidade de ler WATCHMEN , o mítico HQ de Alan Moore uma semana antes da estreia mundial de sua adaptação no cinema pelas mãos de Zack Snyder. Refuguei... Escolhi por um processo inverso ao de Ensaio sobre a cegueira por achar ideal ver a versão compacta e depois a série de doze Graphic Novel, para ter dois prazeres.
A impressão na TELONA é de que estavamos mesmo num túnel do tempo, como o personagem Mr. Manhatan que viajava por seu próprio passado, onde a transição 70-80 é magnificamente bem caracterizada.
A cena inicial é violenta e suja (unica vez, no qual se perde em10 minutos de filme) o suficiente para mostrar que estávamos numa viagem no mínimo incômoda... estavamos de repente numa perfeita reprodução do assassinato de Kennedy e vendo um Nixon velho governar o planeta. Snyder a cada frame parece homenagear o que é " A BIBLIA" dos quadrinhos... É genial em a idéia da desconstrução dos heróis em plena década de 80, onde a era Reegan buscava em Stallone /Rambo e Rocky o símbolo de uma nação viril e impenetrável... Essa era a mensagem crucial que tornou Moore um gênio.

O COMEDIANTE era a amoralidade do soldado americano, e suas cenas são poucas e definitivas... DR MANHATAN era a melancolia do da supremacia... RORSCHACH a sociopatia escondida atrás da justiça... O CORUJA o fã obsecado dependente de parafernalhas como um Batman frustrado... OZYMANDIAS a megalomania a serviço da humanidade e ESPECTRAL carrega o legado da fama de sua mãe... Ou seja : motivos nada nobres numa milícia mascarada...

A carga política perdeu força com o tempo....os valores da história talvez só façam sentido para quem viveu nessa época... afogado a um terror eminiente de uma guerra nuclear... mas Snyder em sua assinatura estética a lá 300 (Limpa e focal como os suspenses de Brian de Palma) tenta esticar e acelerar o tempo para dar uma sensação nova a contemplação oferecida pelos HQ. MA s o excesso de fidelidade nos mostrou um um conteudo obsoleto com embalagem nova.
O proprio MOORE lutou para que o filme não fosse feito e que sua obra fosse conhecida como no original ( que é considerada uma das 100 mais importantes da literatura de todos os tempos).
Talvez tenha razão... mas uma coisa é certa... hoje mesmo começo a lê-lo...

domingo, 1 de março de 2009

Sob a Sombra de Murphy


O que dizer de um filme que faz a anatomia de um projeto mal sucedido? Somos em OPERAÇÂO VALQUIRIA convidado a contemplar o fracasso da missão de um grupo de figurões da SS em plena segunda guerra assassinar o Fuhrer. Brian Singer mal desconfiava que esse mórbido voyerismo é no mínimo um para-raio das Leis de Murphy (que por coincidencia era militar) . Os revezes da história acabou por encarnar no próprio filme, desde um roteiro politicamente correto demais, que pecou em minimalizar o foco no quase herói Claus Schenk von Stauffenberg, e passou uma régua bidimensional no carter e motivos dos coadjuvantes que acabou por servir de um pelotão de "escadas" para a interpretação de Cruise. Este , por sinal, obedeceu como um soldado os pedidos de Singer em segurar seus tiques exagerados e nos brindou com um de seus melhores trabalhos... uma caracterização que maestrava o tom solene do filme.
Infelizmente, pelo tema, uma e outra hora o filme merecia uma virada de roteiro, ou umas cores mais berrantes do que desfile de impecáveis uniformes e closes em cigarros militares. Tanta sobriedade acabou remetendo a um sabor de covardia... Medo comum para quem mexe com fracassos dos outros.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

NA CARA DO GOL


Esse é um dos fotogramas mais divulgados do filme LINHA DE PASSE de Water Salles. De certa forma perfeito para entender porque o filme tem tido tantos e merecidos elogios pelo mundo, consolidando Salles como o mais tecnico cineasta do país.
Primeiro por arrancar performances incriveis de seus pouco conhecidos atores ( apesar de Vinicius de Oliveira ter sido uma parceria antiga, mas a identidade de menino prodigio de Central do Brasil desaparece e toma lugar do bom ator na pele do boleiro Dario)
As angustias particulares e as superações pessoais é a tal linha do título, onde uma familia de quatro irmãos tenta sobreviver emocionalmente dividindo não só a casa mas a melancolia existencial centralizada numa mãe de fibra corinthiana ( vivida por Sandra Corveloni, premiada em Cannes) que paga por sua vida movida passionalmente enquanto os filhos procuram seu quinhão do mundo em suas mais profundas aspirações, mesmo que do ponto de vista social são sonhos relativamente pequenos.
Dario , como vemos na foto, está em um buraco apertado... buscando o que será sua ultima chance de entrar para o futebol profissional... e nós nos apertamos com ele a cada tentativa frustrada.
A emotividade é rasgada e quase piegas em alguns momentos , mas talvez por que a emoção é piegas mesmo, ainda mais quando é no rosto do outro...
No final , como um gol visto de quem chuta o penalti, não sabemos o placar de cada personagem e qual sera a consequencia de seus atos... mas a lógica nos remete que não passará de um momento de frustração ou uma eufórica e rápida alegria... como qualquer desfecho de sonhos, independente do tamanho...
Salles alerta-nos que o cinema é tão efêmero quanto o futebol.

domingo, 25 de janeiro de 2009

NO OLHO DO FURACÂO


Há algo de estranho no Filme "O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON"... Mesmo percebendo uma evolução notória no cinema racional de David Fincher... Tudo no filme soa direcionado, medido e canalizado ao óbvio da premissa NON SENSE de um "ser humano" que nasce velho e vai rejuvenescendo... O personagem não chega ser nem pano de fundo dos bons personagens secundários por que não há interação de plots, sendo até desnecessária a sua condição para que eles se manisfestem. Ou seja é uma história que não se relaciona com as outras e nem mesmo com nossa vida, o que no fim tem características de anedota.
A ideia do flsash back de uma senhora que revela sua vida a beira da morte é típico de Titanic, que se nõa for homenagem é um direcionamento ao inconciente coletivo, que junto as soluções meio que xerocadas de Forest Gump tudo leva a crer que se trata de um filme presente para o reconhecimento do oscar.
O globo de ouro felizmente não enxegou isso e no máximo premiou a excelente maqiagem.... mas o oscar não cometerá a mesma boa intenção.
O filme tem sua área filosófica em torno da morte o que funciona bem vistos as emocoes que se provocam...
MAs é inevitável que há um ddescompasso no que se refere ao que quer se comunicar... conforto ou pessimismo?
A cena final nos remete uma imagem que assusta: O cinema e o relogio precisa nos remeter ao passado? Talvez seja a solução para tal reconhecimento

sábado, 10 de janeiro de 2009

PEDALA ROBINHO


Dee existir um dinheiro reservado nos grandes estudios para projetos que dão dinheiro com certeza. A partir da curiosidade (as vezes desnecessária, como a que me corrompe) esses caras montam remakes de classicos com roupagem moderna e proposta de linguagem adaptada sem macular a mensagem do filme riginal. Essa armadilha eu cai em O DIA QUE A TERRA PAROU.
O original tinha a inauguração do TERROR MORAL-TECNOLOGICO em que sob uma aurea profetica biblica traz um mensageiro (Moisés) dizendo que a conduta humana desagrada o conselho inter-planetário (Deus) e sob a mira de um robô-exterminador os humanos recebem seu ultimato.
Indo em a favor de uma tendencia pseudo-ecológica , Keanu Reveres no papel de Klatuu (extremamente a vontade) até tenta, e sob expectadores comovidos com a dura que o filme dá aos humanos corrompidos pela economia acima da filosofia, o filme poderia cravar o punhal da culpa em cada vivente que assiste o filme. MAs não, atribui a culpa aos governantes e faz como robinho: corre pedala e no fim nada. A impressão a sair do cinema é de que faltou ousadia... a reflexão inicial do filme foi transformada em frustração. E ao invés de inserir a mesma temática ao filme no qual se baseia, perde-se em melodramas óbvios. Ou seja chuta longe do gol.
Pelo menos o diretor Scott Derrickson ajudou em dar uns pontos a FIM DOS TEMPOS por comparação.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

PARTE DA FOTOGRAFIA


Ao meu ver não há comédias despretenciosas. Fazer rir é o ato mais pretencioso do ser humano. Isso por que ele julga ser capaz de convidar alguem a se situar em uma combinação de elementos lúdicos que o conduzam a deduções que só podemos concluir em uma deformação muscular se culturalmente for risível.Complicado..? Talvez não.. O ser humano é capaz em sua vida ser quase que em sua totalidade ridículo quando se discute sua existencia e valores, E ao se julgar dono de seu proprio destino... o acaso lhe coloca na situação de marionete de sua ignorancia. a vida por si só é uma tragicomédia. Cultue o ponto de vista de um plot qualquer que vc poderá em segundos enxergar os dois extremos da emoção. (Chaplin? Alguem..?). NA MIRA DO CHEFE é um curta de 2 horas expondo dentro da fotografia de uma cidade (BRUGES) o retrato da estupidez humana. Lembra ( em narrativa americana, claro) os signos de Lars von Trier... mas para chegar nos dilemas morais que objetivam o filme, se delonga muito nas falas...que bom por que os reveses dos dialogos são a dissonancia e a beleza em contrapartida ao pano de fundo indepedente que o cinema de MArtin Mcdounaug promove. Há um certo fetichismo com os objetos culturais e sua observação quase cientifica, mas de certa formaele é sempre feliz nas escolhas que ele impoe aos personagens (bidimensional como o que eles significam) Mas o maior fetiche talvez seja de explodir a cabeça do Colin Farell com balas Dun Dun, ou explodir tudo que sua cabeça Ianque representa para a Europa. Casualmente ele ganha uma segunda chance por sua estupidez. Mesmo gostando de sua atuação, eu não daria...

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