domingo, 31 de maio de 2009

A PAIXÂO DE ROURKE


Sou obrigado a pedir licença nessa pequena cronica (e não analise oucritica como costumo fazer) e confessar que essas linhas serão escritas na continuidade da emoção complascente que o filme O LUTADOR de DARREN ARONOWSKY me proporcionou.
O diretor já havia demonstrado de forma plastica e autoral que queria falar das prisões humanas e os caminhos sem volta que as escolhas nos permitem : em PI pintada pela segurança racional, em REQUIEM PARA UM SONHO a busca da felicidade a qualquer preçoe em FONTE DA VIDA a negação da morte.
Mas é em THE WESTLER que ele deixa um personagem-ator,contar sua historia, e apenas o persegue em sua propria caminhada rumo ao encontro do óbvio. E não poderia ser outro senão Mickey Rourke a contar a historia de alguem que tinha tudo na decada de 80 e tropeça em si mesmo na decada de 90 e tenta ressucitar nos anos 2000.
A simplicidade do enredo é o truque pois Aronowsky apenas precisa captar o desgaste no rosto deformado de Rourke iludido pela glória da fama em que achava que tinha o poder de seu destino e pagou o preço da autenticidade.
A cada fala do personagem "The Ram" é impossivel não ver um Rourke envolvido no contexto.
Mas Aronowsky tambem está lá... na flagelação provocada pela sociedade para com quem olha de baixo para cima , mesmo sob toneladas de massa muscular, e a bomba relogio que seus personagens se vem submetidos.
Mas nunca os dialogos (ou os silencios) tiveram tanta cor...e é na fala final de Randy que o fruto da fama se aceita como destino e fim em si, analogia ao "cordeiro de Deus" e se entrega a possivel morte como se não houvesse outro caminho...Nem mesmo Maria Madelena foi capaz de tirar o cordeiro de seu sacrifício.
Em O LUTADOR não há perguntas , apenas o fato do que a vida é ato e armadilha , e que até mesmo a redenção pode nos ser negada."É no ringue é que nos machucamos menos"
Humildemente ARONOWSKY entrga sua melhor visão na pele de um biografo que nos golpeia com um retrato canhestro da humanidade :
A de que o cinema criou um monstro chamado MICKEY ROURKE e ele nos presenteou a si mesmo.

terça-feira, 26 de maio de 2009

IGUAIS NA COVARDIA


Tarsem Singh ja havia imprimido seu virtuosismo visual no suspense A CELA , que de certa forma deu o toque artistico nesse suspense psicológico de roteiro apenas mediano. No fim das contas seu potencial estava lá...num olhar para o surreal plausível. Neste filme THE FALL ( que em portugues virou um drama escondido nas prateleiras das locadoras com nome de DUBLE DE ANJO ) a licença para usar toda sua panooramica e complexa visão da mente humana acaba encontrando mais obviedade... ja que se trata de uma menina (incrivelmente convincente) montando um mundo proprio a partir de uma história que ela houve de um interno, que assim como ela , estão em tratamento no hospital.
O filme então é um recife apropriado para o diretor expor todas suas ideias e tecnicas... sem apelar para um excesso de efeitos pixelados e nem ser piega-romantico no que se trata de proteger a essencia visual do cinema.
A pelicula quase que arranha em homenagem, mas de tão sensivel e humana... ja que toda a trama conduz num paralalo entre um duble de cinema mudo ( que corajosamente arrisca a vida no lugar de astros e se acovarda perante as decepções da vida) e uma menina que perde tudo mas transpira esperança e fantasia , criando personagens heroicos que seriam fortalezas de sua inocencia.
O hospital é uma simbologia fria da realidade de muito de nós confinados a enfrentar nossos limites corporais e correndo riscos de crueis injustiças.
Pena que as vezes o proprio filme se acovarda em nos preparar para a tragédia da ficção e arranha para um climax morno...
MAs alguns insights de domínio (como o da ilusão de ótica datransposição do rosto do padre para a tortura do deserto e o recurso stop-motion de uma operação no cranio) são atirados em nós, admiradores do cinema, como um oásis nessa poluição continuista de super (superficiais) heróis que vem sem nada a dizer ou apenas para meter ruido em mentes que se preparam para a ficção redentora e se deparam com a decepcionante morfina do entretenimento.
Permitir isso, é uma covardia para o qual todos nós acabamos caindo junto.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Saudades de Runner


É comum alguns diretores pressionados pelos grandes estudios toparem um projeto que misturam temas atuais com cinema de baixo risco ( que seriam aquele tipo de filme que voce espera tudo de todo mundo)
Ridley Scott em seu REDE DE MENTIRAS convoca Russel Crowe e Di Caprio para um filme sem erro... esem surpresas tambem...
Sob a aparencia de politizado...Ele carrega um roteiro pre concebido de esteriotipos do mundo árabe até mesmo na essencia da trama ( Algo que lembra o Xenófobo Falcão Negro em Perigo) e o piloto automático de Caprio como agente da CIA obrigado (?) pela profissão a incluir inocentes num plano para salvar a democracia (?) da América.
O filme é uma especie de denuncia justificada... onde os EUA torturam, matam e depois entram em uma crise moral tão superficial que chegam a constranger.
A impressão é que Hollywood de vez em quando escolhem alguns bodes expiatorios de idoniedade unanime para impor no mundo seu conceito de eixo do bem Xeix do mal e desavisados atribuem a essa ideia a verdade absoluta.O filme todo passa ser uma Mentira em si.
Isso diminui a essencia do cinema que informam uma verdade induzida que faz sobrar só nausea depois da projeção.
O filme é bom? sim...Atores convencem? sim...

Mas esses excessos de sins assustam ... Indicam que estamos caindo numa obvia armadilha.
É um filme que só faz sentir saudede de Ridley Scott em Blade Runner

terça-feira, 12 de maio de 2009

PALMA DISPUTADA


Festival de Cannes tá ai... e esse ano promete ser um dos mais disputados dos ultimos tempos, ja que em tempo de crise os independentes (ou quase) se destacam. Algumas figurinhas sõa tarimbadas... mas o empolgante é que todos os selecionados tem um q de amadurecimento, altos e baixos na carreira que fazem disso o duelo mais saldavel da arte... e CAnnes sempre traz um novo olhar o que não será nenhuma surpresa se se a palma cair na mão de um novato a se projetar... A torcida fica para Heitor Dalhia ( com o filme A DERIVA elogiadissimo) na amostra paralela.

( Os grifados sãoas apostas pessoais)
Los Abrazos Rotos (Espanha) - Pedro Almodovar
Fish Tank
(Inglaterra) - Andrea Arnold
Un Prophete (França) - Jacques Audiard
Vincere (Itália) - Marco Bellocchio
Bright Star (Nova Zelândia) - Jane Campion
Map of the Sounds of Tokyo
(Espanha) - Isabel Coixet
A l''''Origine
(França) - Xavier Giannoli
Das Weisse Band
(Alemanha) - Michael Haneke
Taking Woodstock
(EUA) - Ang Lee
Looking for Eric (Inglaterra) - Ken Loach
Spring Fever
(China) - Lou
Ye
Enter the Void (França) - Gaspar Noe
Thrist
(Coréia do Sul) - Chan-wook Park
Les Herbes Folles (França) - Alain Resnais
The Time That Remains
(Palestina) - Elia Suleiman
Bastardos Inglórios
(EUA) - Quentin Tarantino
Vengeance
(Hong Kong) - Johnnie To
Visages
(Malásia) - Tsai Ming-Liang
Antichrist (Dinamarca) - Lars von Trier

sábado, 2 de maio de 2009

BAJULAR É PRECISO


Finalmente minha primeira experiencia com a nova tecnologia 3 D, sem aqueles óculos bicolores que só deixavam a gente vesgo...MONSTROS X ALIENS tinha tudo,para alguns anos atras a premissa de um gigantesco filme B... e continua sendo...
A diferença é que ele tem a petulancia de colocar os mais famosos monstros das matines de terror da decada de 50 , para lutar em prol do planeta... quase que parodiando a LIGA EXTRAORDINARIA, numa tentativa de bajular historicamente os criticos mundiais... Todas as "ditas" homenagens não passam de piadas sem graça tiradas do espírto casseta-planeta-americanizado do MAD e a impressão que se dá é que a falta de sutileza de algumas cenas faz desse filme um pandemonio de ideias desconexas ( O Presidente é um plot a parte...desnecessário e lembra o imbecil lêmure=rei do MADAGASCAR)
O ingresso vale pela experiencia 3 D realmente veridica...e que faz imaginar o futuro do cinema indo para este caminho ( e ate mesmo resgatando matines e Pornos) mas o que é feio é ver roteiristas puxando o saco do inconciente coletivo cinematografico para fazer jus ser visto em sua nova tecnologia

quinta-feira, 30 de abril de 2009

DESCONTROLE SOB REDEAS


Mais importante que comentar CONTROL, cinebiografia de IAN CURTIS , vocalista icone prematuramente morto do JOY DIVISION é comentar sobre a estreia do fotografo Anton Corbijn na direção (controladissima) de quem faz da fotografia uma religião.
Tive que digerir o filme , que te um elenco primoroso e camera mais que segura, mas a escolha de Corbijn de seu primeiro trabalho na sétima arte , se remete talvez ao vazio que alguns artistas sentem no dominio de seu talento. No caso de Curtis, a musica, no de Corbijn, fotografar celebridaeds.
A 3 decadas o eximio fotografo tenta capatar pela lente o dom... a aura magnética de alguns artistas populares para explicar seu magnetismo para com seus fãs... e sob fotos quase monocromáticas, a presença de tais seres que são quase semi-deuses da imagem (Bono Vox, David Bowie) a expressão da imagem contemplativa é quase que tão simbolico quanto a existencia de tais idolos.
Sob esse talento e com todo o conhecimento, o Filme transfere para nós em preto e branco o olhar vazio e sem cor da época (inicio da decada de 80), que o proprio Curtis tinha da vida e sua esperança de encontrar na poesia o complemento desse vazio. MAs os problemas de saude e sua responsabilidade cronica em querer abraçar o que deve e o que se quer fazer foram determinantes para seu tragico fim.
Uma lição de contrastes , no qual percebemos, juntos a tantos outros exemplos na musica pop que o rock é uma tabua de salvação ...e para alguns furadas. E como um diretor consegue ver uma beleza quase necrofila que exterioriza essas angustias em personagens que se movem, quase como que dentro da foto em preto e branco de su vida.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

FAZER-SE NÂO ESTAR


Woddy Allen é uma especie de Caetano Veloso do cinema americano... Quietinho ...faz umas bobagens experimentais de vez em quando... e de repente nos premia com obras que se não são primas empolgam pelo inovadorismo. VICKY CRISTINA BARCELONA é uma prova que ele continua mais afiado do que nunca...e o melhor : quando quer prova ser mais moderno que os cienastas-mentiras que surgem num surto de publicidade.
E dessa vez Allen supera a si proprio que historicamente impoe a nós sua figura caricata e não menos importante...substituindo-se em tres personagens: na forma de Cristina, Vicky e Maria Elena.
Ha uma tendencia em Allen estar em seus filmes... Dessa vez ele esta na tentativa de se evitar... Mas tudo no filme se remete a isso: A anunciação é o fundo... o narrador anuncia a redundancia de Cristina... Judy anuncia Barden , Barden Anuncia Cruz... Cruz anuncia a tragedia, Vicky anuncia o erro ( que ela mesmo cometeria numa interpretação magistral de Rebecca Hall) e Todos anunciam Nova York pelos olhos de Allen que muitas vezes se retira do filme num ato de anunciação de si proprio , como um turista que se apaixona pelo que a cidade lhe inspira ( a cena de amor entre Barden e Yohansson é a paixão latina surtando a camera e a direção da ortodoxalidade de um diretor que prima a razão contra o passional e se rende aos ares de uma cidade que se entrega a arte sem analise)
Por tudo isso...pelo seu retirar... Allen esta lá...mais vivo e presente do que nunca.

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