quinta-feira, 27 de agosto de 2009

GOONIES DO SÉCULO 21


Hávera um dia um grupo de pessoas que preocupado com o futuro do mundo criará uma cidade subterrânea , onde haverão habitantes que se isolarão do mundo destruido da superfície e, mas haverá uma caixa que guiarão esses habitantes de volta para superfície quando o mundo se estabelecer...
Roteiro de mensagem ecológica caiu como uma luva no "leitmotiv" do WALL-E , mas por que nesse em questão o foco era os sentimentos de um robô perante a degradação social humana.
Porem no filme CIDADE DAS SOMBRAS , que entrou discretamente em DVD no Brasil perante o fracasso comercial nos USA, se guiar apenas no que se diz respeito a busca das crianças de uma sociedade reformulada no subsolo da terra, para chegar a luz do sol por enigmas e aparelhos Low-Teck do tipo GOONIES, não seguraram a atenção e davam até sono da falta de expectativa que nos incitava...
Uma pena por que GIL KEANE que teve nas mãos a excelente animação A CASA MONSTRO, poderia ter escapado de tocar esse projeto insosso.
A estética neo-apocaliptica na cidade de EMBER é belissima e alguns momentos tão imaginativa quanto os aparelhos absurdos de BRAZIL o FILME. As crianças estão mais que bem dirigidas mostrando que a pouca idade tem firmeza nas mão de KEANE.
Mas o tema chegou ja sem inventividade, e para segurar o público hoje em dia precisa um pouco mais do que engenhocas interessantes e elenco afiado...é o cinema o próprio culpado de toda essa exigencia.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

POUPE-ME DO HORROR!


O massacre de refugiados palestino em Sabra e Shatila, durante a invasão israelense do Líbano, em setembro de 1982, eram meio obscuras para mim, visto que naquele ano eu completava 10 anos de idade e minha cabeça estava voltada para CAÇADORES DA ARCA PERDIDA ( filme trampolim para minha alma cinéfila). Ari Folman, que participou dessa guerra resolver acertar contas com o passado contando seu sonho e suas não lembranças em forma de animação em VALSA COM BASHIR.
A amnésia do diretor quanto ao massacre é o ponto de partida para um desenho animado "sério" , com um formato que lembra muito WALKING LIFE, mas com momentos de carga dramática espantosa...uma especie de fotgrafia desenho que se mexe sob uma trilha sonora contrastante (BEETHOVEN X ASSASSINATO NO POMAR) e poesia dos detalhes de sobreviventes que só possuem pedaços do massacre na mente.
Esse quebra cabeça que não se completará ao fim da história e um retrato de alguem que procura entender a mente de quem participa de um terror impensável... Um personagem real para contos de guerra cuja violencia psíquica só presenciamos em filmes como APOCALIPSE NOW e LINHA VERMELHA...
Entre altos e baixos da narrativa ( as conversas as vezes são didáticas demais ) e as cenas de batalhas são incrivelmente dinâmicas, mesmo sob desenho animado, o filme vai terminando com um agradecimento ao diretor de ter visto todo esse horror em animação, que minimiza o asco pelas atrocidades cometidas.
Entretanto FOLMAN coroa o fim do filme com cenas reais, em vhs...ou seja , nem desss tristes cenas, o pequeno menino de 10 anos, entretido com Indiana JOnes, foi poupado.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

O HOMEM É SEXO E ESTOMAGO


Vi o filme ESTOMAGO depois do "indigesto" (perdoem o péssimo trocadilho) THE SPIRIT e para ser franco posso ter me deliciado com essa pequena perola do diretor MARCOS JORGE por estar com "fome de cinema" (outra vez?).
A frase que usei no titulo desse texto é de Amarelo MAnga, de Claudio Assis, mas parece o pontapé para esse que é o grande filme brasileiro do ano passado
A primeira cena em que o cada vez melhor JOÂO MIGUEL conta a sua versão da origem do queijo gorgonzola como quem conta um causo nordestino, já valem todas as cenas que eu tentei rir no SE EU FOSSE VOCE.Essa é a verdadeira comedia brasileira... com todo seu maneirismo e humor negro refinado... calcado na interpretação (e não caricatura)...raizado nas estruturas da ESTETIKA DA FOME sem o Glauber para confundir tudo, na alma do JECA TATU mas com os OFFS de Jorge Furtado. E uma trilha sonora unica...universal... filme de pobre nordestino se fudendo na cidade grande mas sem esteriótipos... Filme de puta e preso, mas sem o olhar euro-americano do cinema-caô do Babenco ou do Barreto.
Tecnico e verdadeiro...usando os problemas do nosso pais como elementos regionais de um problema universal que se baseia em PODER,SEXO e COMIDA.
O mais cativante do filme é a arte que Raimundo(Alecrim)Nonato absorve e se lambuza com todas as informações que o permitem "adentrar", tecnicamente, no mundo dos granfinos, pura metafora do poder de acesso... onde a elite precisa do talento do peão para que seu sistema continue, mas lhe dá apeana o que acha que ele precisa... e quando se colocam em plano de igualdade, a "falta de sutileza" da força desmedidada e ignorante (como um vulcão em erupção adormecido pela vasta série de humilhaçoes)roga por seu lugar de direito. Em qualquer ambiente: Na prisão, no puteiro ou na cozinha italiana,todos querem o "beliche de cima".
São tantos elementos fílmicos que o microcosmo de uma cena as vezes se comunica com o universo do filme e este por sua vez com nosso inconsciente coletivo.
É quase um drama sheakespereamo regado a gorgonzola e goiabada ( o romeu e a julieta é citado como contraste do proprio filme),um filme cuja tema interessa a quem come coxinha ou carpaccio.
É claro que nada funcionaria sem o carisma de João Miguel e sua presença em tela.E dos coadjuvantes que tem uma direção firme, e eficiente.
Ou seja , um dos melhores filmes , BRASILEIROS, com temas BRASILEIROS que vi nos ultimos tempos, com toda poesia popular de Suassuna e a antropofagia de MACUNAIMA.
Fico pensando se no fim não fui eu o devorado pelo filme.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Hmmpf!


É dificil falar de Frank Miller por tudo que sua carreira representou para meu conceito de arte pop, principalmente quando ele consegue cometer um equivoco com THE SPIRIT daqueles comparado a Maradona na seleção Argentina, ou seja : só não destrói sua carreira por que existem verdadeiros fanáticos que lamberiam suas vísceras.
Depois de brincar de estagiário com Robert Rodrigues para montar um novo segmento estético no cinema ,o excelente SIN CITY, ele encarna a heresia em si e inventa um pseudo-tributo a um mestre WILL EISNER , porem impondo sua propria "arte".
No mínimo dois grandes erros podemos destacar: Nem Frank Miller , nem Eisner pertencem ao cinema... Alan Moore com seu xiitismo de tentar impedir que suas obras primas em quadrinhos fossem adaptadas para a telona, no fundo tinha razão... algumas coisas não podem ser maculadas...
O estrago não foi maior pelo fato do estilo ter cansado os olhos do publico, caso tive sido o pioneiro do "cinema fundo verde" ,o caos estaria formado.
A única palavra que consigo pronunciar é um "lamentável", mas meus grunidos (hmmpf!!) expressados durante quase toda a pelicula ( pelo desfile de personagens mais constrangedores dos ultimos tempos,principalmente SCARLETT YOHANSSEN), queriam pronunciar palavras bem mais chulas.
O que me revolta é que Miller, se quisesse ganhar dinheiro com sua estética, por que não fez a sua versão do DEMOLIDOR, para o cinema, ou do próprio RONIN... pra que mexer no desenho dos outros?
Voce deve perguntar: -Mas o filme é de todo ruim?
Respondo: -É!... Até a boa idéia das inserções da morte, tentando aliciar o protagonista são tantas que chegam até ser inoportunas.
Tire os olhos do umbigo,Frank, aprenda que as vezes no cinema você tenha que explorar a arte do homenageado e não tentar convencer de que a sua "arte" superou seus mestres.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

O ENVELHECER DIDÁTICO


Usar a si mesmo como intrumento de lição , moralista ou não, sobre a sociedade e seu fetiche na violência é talvez o mais importante desafio de indulgencia que CLINT EASTWOOD tenha feito de sua carreira cinematográfica.
Nos ultimos quatro filmes em que atuou , a sua aparição é de alguem que cai de um prédio em camera lenta, e nos liga do celular de vez em quando para dizer como se sente , como quem observa o mundo de dentro do seu ato que por bem do cinema parece mais longo.
Em GRAND TORINO o ato final parece explicito.O filme que tem um personagem que só caberia a ele fazer (me veio agora TOMMY LEE JONES) gira em torno de sua personagem que caricaturamente ele compõe para os impagaveis dialogos que denotam o choque moral, social e racial de gerações tão distantes.
A gradativa aproximação desses mundos calcado na esperança de que ainda há espaço para gentilezas e benevolencias mesmo que por um tom de ironia e humor negro, é a mais tocante, o personagem Walt percebe que sabe mais sobre a morte do que a vida, e quando quer se intrometer no ritmo dessa nova geração sob a força de que a decepção de que conceitos baseados na vingança não redimem nem trazem paz , usa-se de sua propria vida para dar a lição final: a de que tambem aprendeu.
O encantador carro não serve apenas de elemento de desprendimento mas de que nossa geração tambem tem algo a invejar na velhice: a imponência e a eterna sensação de poder.
Por fim a moral da historia tem como simbologia o próprio EASTWOOD: antigo e revigorado.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

SOCOS EM OFF


Decidir o que deve ou não ser filmado, ou o que deve ou não ser contado como historia, não é tarefa fácil dentro de um universo de dramas envolvendo o macro ou microcosmos humano. Paixão de Cristo é um desafio descomunal por exemplo visto que é um personagem histórico amado por milhoes de pessoas.
E quando a pessoa é odiada por milhões?
Hoje essa abertura da história, permitindo rever impressões de celebridades "malditas" afirma uma tendencia de tolerância universal. Assim como nós não nos queremos mais nos encarar de forma simplista, ou receber uma avaliação objetiva desconsiderando o contexto de nossas vidas ou até as subjetividades de nossas atitudes, somos convidados a olhar com mais cuidado, para as pessoas ditas "referencias", boas ou más.
Esse novo filão popular tem uma de suas faces expressa por FROST/NIXON... um documentario-cine-teatral, da ultima entrevista de Richard Nixon a um desacreditado David Frost, em 79.
O embate tem uma caracterização cenográfica e dramaturgica impressionante, graças a um unico herói: FRANK LANGELLA e seu NIXON que entre uma e outras falas que entregam o carater da personagem de forma humana e sem rodeios, tem no olhar a do homem fadado ao fracasso de seus erros e intimamente entregue a opinião pública sem volta.MICHAEL SHEEN ganha pontos ao entregar alguns brios ao entrevistador Frost, mas leva um chocolate de seu opositor.
O diretor Ron Howard, acostumado a agarrar temas populares se esforça apenas para não atrapalhar o que ja estava pronto, e com uma equipe inspirada pelo tema e concentrada para não escorregar nium filme politicamente chato, fez das acrobacias de filmagem (sem correr riscos) um bom programa.
O que mais empolga (isso Howard já tinha tentado em UMA MENTE BRILHANTE) é que as cenas importantes são calculadas para um ápice, que acontece na cenas em off(brilhantemente expostas como um soco antes do round)e os closes de LANGELA que está muito a vontade na tela.
Tudo enfim respira politica ,desde a entrevista veradeira até as duvidosas indicações ao Oscar. O que faz imaginar se Howard na corrida ao governo não teria um pouco mais de respeito.

REDENÇÂO POR CELEBRAÇÂO


Thomas Vintemberg e LArs Von Trier na decade de 90 estipularam um manifesto cinematográfico chamado DOGMA 95 , estipulando 10 regras de anti-comercialismo, que muito poucos cineastas se renderam pelo indeglutível ( e não intragáveis) resultados que hora e outra apareceriam. A estética do cinema cru estava iniciando e com insistencia algumas obras primas surgiram. Cito principalmente OS IDIOTAS e FESTA DE FAMILIA.
Se este ultimo não tivesse existido , com certeza ñinca haveria se quer pensado o projeto: O CASAMENTO DE RACHEL do quase esquecido JOHNATHAN DEMME.
O promissor diretor de O SILENCIO DOS INOCENTES e FILADELFIA se encaminhava para o limbo das produções medíocres (leia-se:O SEGREDO DE CHARLIE) e corajosamente colocou sua camera em punho e se atirou numa especie de revisitação filtrada do DOGMA,principalmente na estrutura tecnica ( ou na inteligente falta dela)
Apostou em um rostinho bonito (ANNE HATHAWAY) que fosse talentoso e na competencia de Rosemary Dewitt para numa pelica que dura os dois dias de um casamento filmado como se estivessemos dentro dele (inclusive dentro dos problemas pessoais de cada um) e o produto de tudo isso foi estupendo.
Tudo se deve tambem ao fato do roteiro de JENNY LUMET explorar a beleza de um ato ritualistico de entrega de vidas entre duas pessoas , que pode ser simples visualmente mas extremamente rico na composição do todo, de forma por vezes extremista e pieguas, como a realidade as vezes evoca.
Todo tipo de gente e seus monstros se encontram na celebração de pessoas que resolvem modificar o rumo de suas vidas, reparar erros, perdoar-se e encontrar no vinculo da familia que nunca deixaram de ser estranhos.
a trilha sonora que é composta apenas dos musicos convidados que ensaiam pelos cantos fazendo fundo aos dialogos. estão diluidos na trama de forma natural,muito sensivel e discreta, assim como elementos de cena que querem contar o sentimento interior da personagem ( como a cena em que as irmãs se abraçam na provação do vestido de noiva e os alfinetes espetam uma a outra, clara referencia ao dialogo que se sucederia).
E assim... de uma forma surpreendente pla simplicidade , vimos um filme caseiro de luxo mas guiado pelos sentimentos verdadeiros das tragedias , da lavação de roupa suja e o perdão colocados sem edição, sob a chuva redentora da celebração.

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