Pensamentos, Desabafos e Pretensões de um indivíduo que teve a honra e a desgraça de nascer em 1972, se perceber como gente em 1985, se achar adulto em 1992 e estar completamente feliz com sua familia em 2009
segunda-feira, 5 de maio de 2014
Fantasias Sexuais e Disney ( Analise sobre Escape From Tomorrow)
Saudoso Glauber Rocha , de todas as estupendas falas que ele metralhava em suas entrevistas, a mais conhecida é : basta uma idéia na cabeça e uma câmera na mão. Acho que nem ele se levava tão a sério assim como Randy Moore e seu Escape from Tomorrow ( que sob uma tradução seria "Fuga do amanhã").
Estou completamente convencido que uma idéia boa na cabeça errada é capaz de provocar um buraco no bom senso. Explico: O filme é um recorte de cenas feitas na Disney World sem autorização, e com elas e algumas edições pós produção, foram construidos um roteiro.
Essa "desobediencia civil" provocou um estardalhaço em Sundance, com um possivel boato de ação judicial por parte da Disney de proibir a veiculação da travessura. Até poderia acontecer se o filme fosse bom, mas como disse, não passa de uma boa idéia na mão de um moleque.
Boa idéia está na personagem que, na pele de um pai de família desempregado, passa no surrealismo de externar a criança que existe na hipocrisia adulta, e passamos a ver o filme com seus olhos fetichosos, nas mistura de fantasias sexuais com ninfetas francesas e princesas do parque e do terror produzido pelos bonecos que remetem a violencia travestida em conto de fadas, fora o potencial horror de que as lendas urbanas que rondam o parque podem superlativar justamente no que talvez seja a ultima vez que ele pise os pés no "legítimo mundo encantado do capitalismo"
O moleque acaba sendo um diretor que busca uma estética de decupação com referencias a Lynch mas com a edição tosca um uma camera-guerrilha e atores explorados a uma atuação sofrível.
Todo o projeto tem mais pretensão do que capacidade de tornar viva a excelente retorica da decadencia humana perante a construção por anos de um universo subliminar de fracassos e animosidade, e a tese psicológica que poderia render um grande filme, fica tão sha-la-lá e esquisito quanto um passeio de barco pra ver cogumelos de isopor.
Bizarrice por bizarrice, fico com a Disney e toda sua megalomania
domingo, 27 de abril de 2014
Orgasmos Múltiplos e Perenes (Análise sobre Ninfomaníaca 1 e 2)
Não é de hoje que o sexo é estudado ,livres das amarras morais, cientificamente...mas ainda é um oceano psíquico. Quando um cineasta deseja colocar seus pensamentos sobre o sexo, num filme de extremos (Ninphomaniaca 1 e 2 de Lars Von Trier), é claro que todas as expectativas naturais de polemica ja levaria uma multidão de Voyers (o Cinema é a permissão do fetiche). Mas como é muito obvio, vindo de quem trabalha o cinema do desconforto, o que invade são muito sentimentos esquisitos ao sair dos dois filmes.
Alguns dirão que não é Pornografia...mas é. A mais pura. Tão crua quanto o pecado original. Só que sem gozo, sem se quer sexo mesmo e sim corpos se mexendo desesperadamente pra ocupar vazios existenciais, e um poço sem fundo de desejos.
Gozar a qualquer preço, a busca do gozo utópico,o prazer extendido ao infinito.Toda essa euforia da sociedade moderna é mostrada didaticamente sobre uma metáfora que só incomoda pela supervalorização natural de nossa própria genitália.
A forma utilizada é quase um divâ, onde procuramos intensamente em nos identificar em algum lugar entre a doente por sexo ou o assexuado, que soltam informações estaticas impressionantes e fábulas sexuais, contadas com um distanciamento de microscópio.
Ao estilo de mil e uma noites ,você torce pra que a próxima historia resulte num desfecho da anterior. Mas não... cada passo e experiencia sexual contada na vida de Joe, é tentar fechar um buraco com um outro maior.
A poesia é notória durante todo processo, em muitas situações comovente e a tentativa de retratar profunda naturalidade dos acontecimentos chega a incomodar.
E como é do feitio do Trier,ele coloca seus personagens num limite temático,estabelecendo um outro lugar pra moral, trazendo a redenção de seu herói as avessas. Fazendo o expectador cair no próprio paradoxo de suas convicções mais profundas. (não será apenas uma vez que você verá algo de censura 20 anos, que se mergulhado nos motivos, achará a atitude viável e lógica)
Ame ou odeie Trier, ele faz o cinema ser interessante desde a concepção dos cartazes ( prologo essencial pra obra) e urgentemente moderno nas concepções de suas, e tão suas ideias, que acabam montando aos poucos um mapa moral através do cinema.
A cada encontro com essa verdade, um orgasmo...múltiplo e perene. Quem não vê isso é que precisa rever seus buracos.
quarta-feira, 5 de março de 2014
Mil Trapaças (Análise de Trapaça)
Do que trata-se TRAPAÇA afinal? É um filme de gênero? é um filme de crime? de golpe? Seria ironia que é tudo isso e ao mesmo tempo nada mais do que um filme que finge ser bem intencionado? To exagerando? não quem exagerou dessa vez foi O Russel, que trouxe um caminhão de bons atores, com boa atuação, boa fotografia, mas com uma montagem descabida e tão perdida que restou ao pobre diretor parodiar Scorcese pra se manter nos eixos. Ele tentou dirigir cada cena como se fosse a última da carreira, o que supervalorizou os atores. Salvo Christian BAle que rapidinho entendeu a armadilha e se vestiu dignamente de uma personagem que queria fugir de tudo que estava vestindo. Foi guiando o tom dos outros atores quando contracenava, levantando a voz de forma elegante e movimentado-se com toda certeza do que se passava ao seu redor. O problema é que quando os outros estavam a mercê de seu momento-sem-Bale, a certeza parecia desmoronada. Aparentemente chupada de Donnie Darko, muita cena de camera lenta com trilha sonora delatando epoca, mas completamente fora de contexto, mesmo sendo excelente.
Alias tudo no filme é excelente demais. O que faz parecer grotesco e até pedante. E pior é que é divertido sim,
No fim é impossivel não ter a sensação depois de 2 horas de falcatrua e gosto amargo de que estavamos diante de uma orquestra de musicos excelentes fingindo ser canastrôes. Culpa do maestro.
ZOO DA TERCEIRA IDADE ( Análise de NEBRASKA )
Quem for ver NEBRASKA se identificará rapidamente com muitas coisas. Principalmente com o cotidiano do ser humano depois dos 70 anos. Criticas usam o eufemismo de "Retrato de um país que se direciona para a maturidade" o que significa : "Zoo da terceira idade" . Parece simplista mas é fato. O ser humano ocidental parece que luta a vida inteira pra ficar um velho feliz. E mal percebe que ele já é um velho feliz com menos rugas. Mas é preciso a desobediência social para perceber no final das contas que o sonho ainda é pilha do espírito. Alexander Payne já mostrou que veio pra contar histórias que aproximam a gente da nossa vizinhança , passa por nossa casa, mas não entre. Somos o autentico vouyeer segundo o professor Payne. É um convite a olhar pra janela e ver que a vida est´pa lá, invisível e desesperada por um acontecimento que a tire do tédio proporcionado por anos de história civil. O filme já declara-se um álbum de retratos quando a sua perfeita fotografia preto e branco destila nostalgia. As transições e a trilha cirúrgica que só acontece em passagens, flerta com as clássicas decupagens. Entretanto é o cinismo que é o grande triunfo do filme ( apesar de personagens magnéticos , como a feita pela indicada Jane Squidd quase uma Dercy Gonçalves Yanque) que ao chocar gerações e intenções mostra que grande parte americana ( e por que não do mundo) é feita de velhos com seus conceitos apegados ao resto de memória e rancores. Uma melo-comédia de insana ironia. Deliciosas verdades que estão mais pra janelas do que telas que parecem nos anteceder nossos próprios destinos e a possíveis aventuras que estaremos apegados no futuro.
segunda-feira, 3 de março de 2014
RESSACA DO OSCAR
Oscar beeem previsivel, que só deu a devida emoção mesmo se academia ia ou não premiar ELA, um filme que indiscutilmente conversa com a atualidade..que bom ele ganhou roteiro, o que permite a existencia cultural de filmes nesse estilo com o apoio economico...
vai ai os pontos conquistados pelos amigos que participaram do bolão :
Obrigado (desculpa a goleada) e até ano q vem :)
Luciano Justi - 20 pts
Pauluk - 24 pts
Peterson - 30 pts
Disconzi - 30 pts
Brida - 31 pts
Bruno Kohl- - 36 pts
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
APOSTAS OSCAR 2014
Saudações paladinos incansáveis da sétima arte!!!!!
Oscar chegando ( premiação dia 2 de março ) e o tradicional Bolão do Retina Viva , de volta para ver quem paga o mico dessa vez. Ano passado recorde de apostas, e esperamos mais corajosos apostadores para essa que promete ser uma disputa acirrada.
Por conta disso inventei ( sim eu, por que eu que mando mesmo) uma novidade nas apostas, O VOTO TORCIDA.
Todos os participantes tem direito a apostar um ganhador em cada categoria , que contará 2 pontos caso acerte, e cada participante terá direito a escolher 3 categorias para colocar um VOTO TORCIDA ( que contará 1 ponto caso acerte), que serve para aqueles casos em que a gente aposta num mas torce para o outro
Cada participante terá direito então de votar em 2 filmes ( aposta e torcida) apenas em 3 categorias aleatórias.
As apostas serão aceitas até dia 02 de março de 2014, 22 h, horario de Porto Belo ( que é onde eu moro)
USE a área de comentários para fazer seus chutes!
Para entender : lá vão os candidatos e MINHAS APOSTAS:
FILME
“Trapaça”
“12 Anos de Escravidão”
“Gravidade”
"Capitão Phillips"
“O Lobo de Wall Street”
“Philomena”
“Nebraska”
“Ela”
“Clube de Compras Dallas”
APOSTA : GRAVIDADE comentário: Arriscaaaado, mas não resisti , 12 anos de escravidão e Trapação levaram o globo de Ouro, mas é por conta da implicancia para com a Bulllock, e o roteiro não ter o peso (trocadilho) que merecia... mas a academia ja tem mais afinidade com a moça, e 12 anos é um filme que tem horas que pega bem mais pesado, e Trapaça apesar de divertido, cheira mesmo algo de desonesto...( outro trocadilho infame, sorry)
ATOR
Matthew McConaughey, “Clube de Compras Dallas”
Chiwetel Ejiofor, “12 Anos de Escravidão”
Bruce Dern, “Nebraska”
Christian Bale, “Trapaça”
Leonardo DiCaprio, “O Lobo de Wall Street”
APOSTA : Matthew McConaughey TORCIDA : Leonardo DiCaprio Comentário: Eu sempre torço pro DiCaprio, mas o cara teve azar mais uma vez de pegar um cara inspiradissimo em atuação, entretanto até chegar no Oscar a coisa pode virar porque a atuação é bem mais carismática do que a Mc Comauguey que é surpreendente por conta do sacrifício de ter emagrecido tanto. será decidido nos 44 do 2 tempo.
ATRIZ
Cate Blanchett, “Blue Jasmine”
Sandra Bullock, “Gravidade”
Judi Dench, “Philomena”
Meryl Streep, “Álbum de Família”
Amy Adams, “Trapaça”
APOSTA: Cate Blanchett comentário : Leia meu artigo sobre o filme Blue Jasmine e entenderá :)
ATOR COADJUVANTE
Jared Leto, “Clube de Compras Dallas”
Barkhad Abdi, “Capitão Phillips”
Michael Fassbender, “12 Anos de Escravidão”
Bradley Cooper, “Trapaça”
Jonah Hill, “O Lobo de Wall Street”
APOSTA: Jared Leto comentário : O cara surpreende sem perder nada com o protagonista Mc Counaughey inclusive inflaciona o filme com a atuação .
ATRIZ COADJUVANTE
Lupita Nyong'o, “12 Anos de Escravidão”
Jennifer Lawrence, “Trapaça”
June Squibb, “Nebraska”
Julia Roberts, “Álbum de Família”
Sally Hawkins, “Blue Jasmine”
APOSTA: Lupita Nyong'o comentário : Você chora junto com ela no filme... 2 cenas de arrebentar o coração se não levar é porque a Lawrence é queridinha da hora.
DIRETOR
David O. Russell, “Trapaça”
Alfonso Cuaron, “Gravidade”
Steve McQueen, “12 Anos de Escravidão”
Martin Scorsese, “O Lobo de Wall Street”
Alexander Payne, “Nebraska”
APOSTA: Alfonso Cuaron comentário: Um dos poucos diretores autorais que usa da câmera um narrador, e em GRAVIDADE surpreendeu com seu domínio , até mesmo os tubarões consagrados de filme de ficção científica.
ROTEIRO ORIGINAL
Spike Jonze, “Ela”
Eric Singer, David O. Russell, “Trapaça”
Bob Nelson, “Nebraska”
Woody Allen, “Blue Jasmine”
Craig Borten, “Clube de Compras Dallas”
APOSTA: Spike Jonze, “Ela” comentário: Uma verdadeira aula sobre a fragilidade humana e de todas suas infinitas psiquês, simples e original... nem o velho Woddy é capaz de tirar a estatueta do Jonze , apaixonado em mostrar a alma humana na telona.
ROTEIRO ADAPTADO
John Ridley, “12 Anos de Escravidão”
Terrence Winter, “O Lobo de Wall Street”
Steve Coogan, “Philomena”
Billy Ray, “Capitão Phillips”
Julie Delpy, Ethan Hawke, Richard Linklater, “Antes da Meia-Noite”
APOSTA: “12 Anos de Escravidão” TORCIDA : “Antes da Meia-Noite” comentário: : Gastando meu voto torcida, mas é impossivel não torcer pra final da trilogia do Linklater
FILME ESTRANGEIRO
“A Grande Beleza” (Itália)
“Alabama Monroe” (Bélgica)
“L’Image Manquante” (Camboja)
“A Caça” (Dinamarca)
“Omar” (Palestina)
APOSTA: “A Grande Beleza” (Itália)
ANIMAÇÃO
“Frozen – Uma Aventura Congelante”
“Vidas ao Vento”
"Ernest and Celestine"
“Meu Malvado Favorito 2”
“Os Croods”
APOSTA: “Frozen – Uma Aventura Congelante” TORCIDA : “Vidas ao Vento” comentário: : Sempre torcerei para Hayao Miyazaki na sua terceira indicação... samurai 8 dan
DOCUMENTÁRIO
“O Ato de Matar”
“A Um Passo do Estrelato”
“Cutie and the Boxer”
“Guerras Sujas”
“The Square ”
APOSTA: “O Ato de Matar” comentário: Mirei e atirei..rsrs
FOTOGRAFIA
"Gravidade”
“Inside Llewyn Davis”
“Os Suspeitos”
"Nebraska”
“O Grande Mestre”
APOSTA: "Gravidade” comentário : os do Coen é uma pintura , mas não chega
EDIÇÃO
“Gravidade”
“Trapaça”
“Clube de Compras Dallas”
“12 Anos de Escravidão”
"Capitão Phillips”
APOSTA: "Gravidade”
DIREÇÃO DE ARTE
“Trapaça”
“Gravidade”
“12 Anos de Escravidão”
“O Grande Gatsby”
“Ela”
APOSTA: “O Grande Gatsby”
FIGURINO
“Trapaça”
“O Grande Mestre”
“O Grande Gatsby”
“The Invisible Woman”
“12 Anos de Escravidão”
APOSTA: “O Grande Gatsby”
MAQUIAGEM
“Clube de Compras Dallas”
“Jackass Apresenta: Vovô Sem Vergonha”
“O Cavaleiro Solitário”
APOSTA: “Clube de Compras Dallas"
MIXAGEM DE SOM
“Gravidade”
“O Grande Herói”
“Inside Llewyn Davis”
“O Hobbit: A Desolação de Smaug”
“Capitão Phillips”
APOSTA: "Gravidade”
EDIÇÃO DE SOM
“Até o Fim”
“Gravidade”
“Capitão Phillips”
“O Hobbit: A Desolação de Smaug”
“O Grande Herói”
APOSTA: “Até o Fim”
EFEITOS VISUAIS
“Gravidade”
“O Hobbit: A Desolação de Smaug”
“Homem de Ferro 3”
“O Cavaleiro Solitário”
“Além da Escuridão: Star Trek”
APOSTA: "Gravidade” comentário : Barbada
TRILHA SONORA
“A Menina que Roubava Livros”
“Gravidade”
“Ela”
“Philomena”
“Walt nos Bastidores de Mary Poppins”
APOSTA: "Gravidade”
CANÇÃO ORIGINAL
“Alone Yet Not Alone” – Bruce Broghton (“Alone Yet Not Alone”)
““Let it Go” – Kirsten Anderson-Lopes (“Frozen: Uma Aventura Congelante” )
“The Moon Song” – Karen O. (“Ela”)
“Ordinary Love” – U2 (“Mandela”)
APOSTA : “Let it Go”
Agora é com vocês !!!
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
CARA e COROA (Análise de LA GRANDE BELEZZA de PAolo Sorrentino
Antes de ler a resenha abaixo pegue uma moeda e tire cara ou coroa , leia a que der e não leia a outra .
COROA
Há tempos o cinema italiano não nos dá uma obra com a magnitude de Felini e Antonioni. A própria Italia sabe disso e sempre se sentiu refém dessa marca. Roberto Benigni conseguiu um certo estrelato com o bom A Vida é Bela, que no fundo é a Lista de Schindler filmado por Charles Chaplin, não vejo nada de italiano nisso. Não posso deixar de mencionar Cinema Paradiso que trouxe uma sensibilidade absurda desde que pudesse ser falado sobre o cinema em si, por que as produções posteriores do Tornatore nunca receberam o mesmo status.
Finalmente um tal de Paolo Sorrentino chutou o gato morto. Se é nostalgia italiana que o mundo quer então vai lá. Com isso saiu A GRANDE BELEZA, título e filme que poderia muito bem estar no repertório de Felini, com um pequeno detalhe: Felini não está ali.
Entretanto o mundo que compete o tempo todo com a nostalgia com até certo ar de necrofilia, aprovou o cover, como alguém que tivesse acertado uma receita de bolo da sua vó, e o filme tá levando prêmios aos rodos.
Tais homenagens poderiam mostrar uma forma de respeito aos grandes artistas da sétima arte, mas sinceramente vejo com certa preocupação. A impressão é que a sétima arte tem sido tratada nos bancos das academias cinematográficas como somente uma curadoria do passado, como formas simplesmente de ser avalizada por fantasmas. Será que nada genialmente novo pode ocupar o espaço do presente? Ou simplesmente o que nos resta é uma revisitação-colagem de tudo que já existe?
Por tudo isso, o filme torna-se incrivelmente magnético e divertido...não é incrível?
Feito um prato italiano delicioso ,exótico e temperado de forma que se espera é que o anfitrião de tal ceia possa oferecer mais um prato, dessa vez sem vergonha de se lambuzar.
CARA
Onírico e plastico , é muito bom ver como ainda os Italianos se revisitam em seu próprio cinema, principalmente ao tratar um tema pesado ,como o vazio que vem se aproximando ao avançar da Idade, e como a impressão de não se viver o presente como se deve , você acaba sempre na expectativa do futuro, sob uma ótica coletiva de um grande sonho onde todos estão numa roda de terapia.
Se tratássemos de um filme inglês, provavelmente estaríamos vendo um filme decupado dentro de um sanatório ou numa sala de jantar onde roupa suja seria lavada 70% da película... mas como se trata de um filme que homenageia Felini e Antonioni, você vai ver personagens originais e bizarros que poderiam ser seu vizinhos e diálogos apaixonados nas ações, bem como sequencias onde o diretor Paolo Sorrentino quer que a câmera esteja quase viva , cúmplice sob sua decupagem.
A GRANDE BELEZA do titulo já vem com a ironia de quanto a humanidade é viciada sensorialmente, intimidando que nunca estaremos contente com a beleza que nos cerca e sim com algo que nos surpreenda os sentidos: que toda melancolia vem quando a arte se diminui a nossos significados. Discussão essa que de tempos em tempos somos atribulados , mas torna-se o mistério devidamente sem-solução, numa deliciosa utopia que faz-se com uma edição que propositalmente se remete aos artifícios de cinema moderno (gruas nos convidando a ver de perto as pessoas e suas vidas no instante que acontecem)
Por tudo isso, o filme tornas-e incrivelmente magnético e divertido...não é incrível?
Feito um prato italiano delicioso ,exótico e temperado de forma que se espera é que o anfitrião de tal ceia possa oferecer mais um prato, dessa vez sem vergonha de se lambuzar.
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