quinta-feira, 24 de julho de 2014

Dose Dupla (Análise de O Homem Duplicado)



Dois corpos não ocupam o mesmo espaços. Essa é a lei mais velha que estudar verbo To Be. é quase um mantra das aulas de ciências. Agora partir da idéia de um mesmo corpo ocupar dois espaços, o cinema tem tido tentado personificar com alguns filmes. Tanto que ja deveria ter um subgenero do drama chamados filmes de "duplo" . O Homem Duplicado, filme adaptado do incrivel livro do Saramago, vem trazer o desafio do escrito portugues, sob a tutela de um diretor que vem impressionando desde Incendios e Prisioners ( titulo Os suspeitos não dá né...tem outro filme com esse nome :( ).  Com uma performance madura do jake gyllenhaal, o filme ganha em tensão e ao mesmo tempo nos vazios propositais quase conseguimos escutar a narração do escritor.
 Mas o que mais impressiona mesmo é a temática.. Vivemos sob a ótica unica , da invidualidade plena e gritante. Observando os animais, como os peixes em cardumes , é impossivel não fazer a distinção da originalidade de cada ser humano. Imagine que de repente, vc descobre que sim, você é um peixe de um cardume, e que não só existe um outro você, mas esse outro é você. Nada de mundos paralelos e sim vidas paralelas num mesmo universo. Você vive sim , outra vida e ai descobre que há um outro de você , Você é você , e o outro você.
Não é um conceito novo, mas é uma idéia de dificil abstração por conta da física dos fatos. Algo parecido só havia visto em Watchman.
Outra ótica associada ao livro é a relação dos personagens , que discutem a necessidade da História humana se fundir a Ficção da imaginação.
Por tudo isso, o filme não só é um suspense que entretem mas um belo registro de um livro que fica nos anais da estrutura intelectual humana.

sábado, 28 de junho de 2014

Nosso Nu Frontal ( Análise de Sob a Pele )


Estava meio desanimado em comentar sobre os filmes que eu tenho visto...entretanto vem surgindo uma safra semi-independente ( leia-se new- undergrounds) que apostam num enorme público, menos consumidor , porém mais apaixonado e interessante.
   Há uma parte do cinema que a fotografia é mais sagrada. Alguns diretores inteligentemente adaptam livro sob uma ótica imagética ,descartam o narrador e tratam assim a obra fílmica com um trabalho original inspirado e livre para interpretações. Tal impressão eu tive quando assisti Sob a Pele, que pipocou na internet com a promessa de ver o nu frontal de Scarlet Yohanssem.
Tal nu, para positiva surpresa, é da humanidade. E algumas pretensas situações faz desse projeto de Johnathan Glazer ( que amargou o hiato do corajoso Reencarnação, apesar de ter estreiado muito bem com Sexy Beast) traz uma ótica interessante, que surge lentamente (como o filme) em nossas emoções.
     Os críticos comparacionistas falam da trilha sonora a la Kubrick e da decupagem Antonioniana. Mas me atrevo a dizer, que se tais referencias existiram, elas funcionam quase que como uma combinação original e não uma referencia. A escolha do ponto emotivo ( quase nenhum ) , apenas cirurgicamente pontuado pede pra você observar seus aplicativos psicológicos frente ao fenômeno de ser humano.
      Tudo poderia cair pra pieguice, mas a direção firme e obediente a um conceito menos funcional e mais calcado na ausencia, faz-nos respeitar o filme pela coragem.
      A parte mais impressionante é o duelo sensorial que travamos conosco ao ver um ator ( Adam Person, que tem uma deformidade verdadeira e rara no rosto) escolhido para que contraponha com a beleza não maquiada de Scarlet Yohanssen , o diálogo mais verdadeiro do cinema dos ultimos tempos sobre a força da aparência e tudo que entendemos.
A partir dali, inumeras escolhas do protagonista o levam a uma viagem sem volta, dando a sensação de que estamos muito bem com nossos aplicativos culturais geneticamente adquiridos.
     Nada como o silêncio da imagem , para escutar e exorcizar nossos ruídos. Em nu frontal.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Fantasias Sexuais e Disney ( Analise sobre Escape From Tomorrow)


Saudoso Glauber Rocha , de todas as estupendas falas que ele metralhava em suas entrevistas, a mais conhecida é : basta uma idéia na cabeça e uma câmera na mão. Acho que nem ele se levava tão a sério assim como Randy Moore e seu Escape from Tomorrow ( que sob uma tradução seria "Fuga do amanhã").
Estou completamente convencido que uma idéia boa na cabeça errada é capaz de provocar um buraco no bom senso. Explico: O filme é um recorte de cenas feitas na Disney World sem autorização, e com elas e algumas edições pós produção, foram construidos um roteiro.
Essa "desobediencia civil" provocou um estardalhaço em Sundance, com um possivel boato de ação judicial por parte da Disney de proibir a veiculação da travessura. Até poderia acontecer se o filme fosse bom, mas como disse, não passa de uma boa idéia na mão de um moleque.
Boa idéia está na personagem que, na pele de  um pai de família desempregado, passa no surrealismo de externar a criança que existe na hipocrisia adulta, e passamos a ver o filme com seus olhos fetichosos, nas mistura de fantasias sexuais com ninfetas francesas e princesas do parque e do terror produzido pelos bonecos que remetem a violencia travestida em conto de fadas, fora o potencial horror de que as lendas urbanas que rondam o parque podem superlativar justamente no que talvez seja a ultima vez que ele pise os pés no "legítimo mundo encantado do capitalismo"
O moleque acaba sendo um diretor que busca  uma estética de decupação com referencias a Lynch mas com a edição tosca um uma camera-guerrilha e atores explorados a uma atuação sofrível.
Todo o projeto tem mais pretensão do que capacidade de tornar viva a excelente retorica da decadencia humana perante a construção por anos de um universo subliminar de fracassos e animosidade, e a tese psicológica que poderia render um grande filme, fica tão sha-la-lá e esquisito quanto um passeio de barco pra ver cogumelos de isopor.
Bizarrice por bizarrice, fico com a Disney e toda sua megalomania

domingo, 27 de abril de 2014

Orgasmos Múltiplos e Perenes (Análise sobre Ninfomaníaca 1 e 2)




Não é de hoje que o sexo é estudado ,livres das amarras morais, cientificamente...mas ainda é um oceano psíquico. Quando um cineasta deseja colocar seus pensamentos sobre o sexo, num filme de extremos (Ninphomaniaca 1 e 2 de Lars Von Trier), é claro que todas as expectativas naturais de polemica  ja levaria uma multidão de Voyers (o Cinema é a permissão do fetiche). Mas como é muito obvio, vindo de quem trabalha o cinema do desconforto, o que invade são muito sentimentos esquisitos ao sair dos dois filmes.
Alguns dirão que não é Pornografia...mas é. A mais pura. Tão crua quanto o pecado original. Só que sem gozo, sem se quer sexo mesmo e sim corpos se mexendo desesperadamente pra ocupar vazios existenciais, e um poço sem fundo de desejos.
Gozar a qualquer preço, a busca do gozo utópico,o prazer extendido ao infinito.Toda essa euforia da sociedade moderna é mostrada didaticamente sobre uma metáfora que só incomoda pela supervalorização natural de nossa própria genitália.
A forma utilizada é quase um divâ, onde  procuramos intensamente em nos identificar em algum lugar entre a doente por sexo ou o assexuado, que soltam informações estaticas impressionantes e fábulas sexuais, contadas com um distanciamento de microscópio.
Ao estilo de mil e uma noites ,você torce pra que a próxima historia resulte num desfecho da anterior. Mas não... cada passo e experiencia sexual contada na vida de Joe, é tentar fechar um buraco com um outro maior.
A poesia é notória durante todo processo, em muitas situações comovente e a tentativa de retratar profunda naturalidade dos acontecimentos chega a incomodar.
E como é do feitio do Trier,ele coloca seus personagens num limite temático,estabelecendo um outro lugar pra moral, trazendo a redenção de seu herói as avessas. Fazendo o expectador cair no próprio paradoxo de suas convicções mais profundas. (não será apenas uma vez que você verá algo de censura 20 anos, que se mergulhado nos motivos, achará a atitude viável e lógica)
Ame ou odeie Trier, ele faz o cinema ser interessante desde a concepção dos cartazes ( prologo essencial pra obra) e urgentemente moderno nas concepções de suas, e tão suas ideias, que acabam montando aos poucos um mapa moral através do cinema.
A cada encontro com essa verdade, um orgasmo...múltiplo e perene.  Quem não vê isso é que precisa rever seus buracos.

quarta-feira, 5 de março de 2014

Mil Trapaças (Análise de Trapaça)



Do que trata-se TRAPAÇA afinal? É um filme de gênero? é um filme de crime? de golpe? Seria ironia que é tudo isso e ao mesmo tempo nada mais do que um filme que finge ser bem intencionado? To exagerando? não quem exagerou dessa vez foi O Russel, que trouxe um caminhão de bons atores, com boa atuação, boa fotografia, mas com uma montagem descabida e tão perdida que restou ao pobre diretor parodiar Scorcese pra se manter nos eixos. Ele tentou dirigir cada cena como se fosse a última da carreira, o que supervalorizou os atores. Salvo Christian BAle que rapidinho entendeu a armadilha e se vestiu dignamente de uma personagem que queria fugir de tudo que estava vestindo. Foi guiando o tom dos outros atores quando contracenava, levantando a voz de forma elegante e movimentado-se com toda certeza do que se passava ao seu redor. O problema é que quando os outros estavam a mercê de seu momento-sem-Bale, a certeza parecia desmoronada. Aparentemente chupada de Donnie Darko, muita cena de camera lenta com trilha sonora delatando epoca, mas completamente fora de contexto, mesmo sendo excelente.
Alias tudo no filme é excelente demais. O que faz parecer grotesco e até pedante. E pior é que é divertido sim,
 No fim é impossivel não ter a sensação depois de 2 horas de falcatrua e gosto amargo de que estavamos diante de uma orquestra de musicos excelentes fingindo ser canastrôes. Culpa do maestro.

ZOO DA TERCEIRA IDADE ( Análise de NEBRASKA )


Quem for ver NEBRASKA se identificará rapidamente com muitas coisas. Principalmente com o cotidiano do ser humano depois dos 70 anos. Criticas usam o eufemismo de "Retrato de um país que se direciona para a maturidade" o que significa : "Zoo da terceira idade" . Parece simplista mas é fato. O ser humano ocidental parece que luta a vida inteira pra ficar um velho feliz. E mal percebe que ele já é um velho feliz com menos rugas. Mas é preciso a desobediência social para perceber no final das contas que o sonho ainda é pilha do espírito. Alexander Payne já mostrou que veio pra contar histórias que aproximam a gente da nossa vizinhança , passa por nossa casa, mas não entre. Somos o autentico vouyeer segundo o professor Payne. É um convite a olhar pra janela e ver que a vida est´pa lá, invisível e desesperada por um acontecimento que a tire do tédio proporcionado por anos de história civil. O filme já declara-se um álbum de retratos quando a sua perfeita fotografia preto e branco destila nostalgia. As transições e a trilha cirúrgica que só acontece em passagens, flerta com as clássicas decupagens. Entretanto é o cinismo que é o grande triunfo do filme ( apesar de personagens magnéticos , como a feita pela indicada Jane Squidd quase uma Dercy Gonçalves Yanque) que ao chocar gerações e intenções mostra que grande parte americana ( e por que não do mundo) é feita de velhos com seus conceitos apegados ao resto de memória e rancores. Uma melo-comédia de insana ironia. Deliciosas verdades que estão mais pra janelas do que telas que parecem nos anteceder nossos próprios destinos e a possíveis aventuras que estaremos apegados no futuro.

segunda-feira, 3 de março de 2014

RESSACA DO OSCAR



Oscar beeem previsivel, que só deu a devida emoção mesmo se academia ia ou não premiar ELA, um filme que indiscutilmente conversa com a atualidade..que bom ele ganhou roteiro, o que permite a existencia cultural de filmes nesse estilo com o apoio economico...

vai ai os pontos conquistados pelos amigos que participaram do bolão :

Obrigado (desculpa a goleada) e até ano q vem :)

Luciano Justi - 20 pts
Pauluk          - 24 pts
Peterson       - 30 pts
Disconzi       - 30 pts
Brida             - 31 pts
Bruno Kohl-        - 36 pts

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